Gestante Não Deve Correr

Categoria: Colunistas Publicado: Sexta, 28 Março 2014 Escrito por Luiz Carlos Moraes
Gestante

Sei que é um assunto polêmico e muita gente vai dizer que conhece um monte de gestante que continuou correndo e não aconteceu nada, mas sou radicalmente contra a gestante continuar correndo quando existe uma série de outros exercícios mais adequados. A minha mulher na época era maratonista por mim treinada e quando engravidou fui o primeiro a suspender a corrida exatamente por conta do impacto que é 2,5 o peso corporal. Ela passou a caminhar fazer alongamentos, hidroginástica e a pedalar. Hoje continua correndo e temos uma filha sadia e que já me deu um lindo neto. São apenas nove meses e mais o resguardo que a mulher vai deixar de correr, mas não de se exercitar. Depois disso a mulher volta a correr e geralmente melhor que antes.
As alterações gestacionais em minha opinião são justificativas mais que suficientes para suspender a corrida e/ou qualquer exercício de impacto tais como step, trampolim e etc.

A confirmação da gravidez se dá pela presença do hormônio gonadotrofina coriônica humana no exame de urina. Tem a função de suspender o fluxo menstrual e preparar as paredes do útero. Os estrogênios ficam mais ativos para aumentar o útero e as mamas e a progesterona fica com a função de diminuir a contratibilidade do útero, daí a propensão maior dos abortos naturais no primeiro trimestre.

De certa forma é comum gestante reclamar de cansaço. Isso se deve a outra substância, a relaxina que, como o próprio nome diz produz um relaxamento geral dos tecidos e dos ligamentos. Mais um motivo forte contra exercício de impacto.

O metabolismo aumenta em mais ou menos 15% estimulado por outros dois hormônios: o T3 e o T4.
Quando o bebê começar a crescer, a freqüência respiratória fica mais acelerada porque o músculo diafragma fica comprimido diminuindo a amplitude ventilatória. Até o coração dá a sua ajeitadinha para criar espaço. Por falar nele, a freqüência cardíaca também estará acelerada para poder fornecer um fluxo maior de sangue circulante. O “baby” e a mãe precisam.

O corpo todo se modifica. O centro de gravidade fica mais adiantado, a curvatura lombar se acentua gerando uma hiperlordose, os ombros tendem a ficar mais caídos por causa do peso das mamas gerando uma cifose, nesse caso, compensatória. Em função dessas modificações anatômicas a musculatura paravertebral lombar e os jarretes ficam constantemente tencionados, o peitoral encurtado e os gastrocnêmios (panturrilha) sobrecarregados devido a força que passam a fazer para manter o equilíbrio postural e bombear o sangue venoso. Não é raro gestante sentir cãibras na “batata da perna”. Aí eu pergunto. Nessa situação correr pra quê? Para virar um sacrifício e aumentar os riscos de alguma coisa sair errado? São duas vidas e uma família inteira em jogo. Por tudo isso as atividades físicas mais indicadas às gestantes continuam a ser os aeróbios de baixo impacto como caminhada, o transport, a natação, a hidroginástica, a bicicleta ergométrica e até mesmo o spinning evitando manobras avançadas. Na musculação os exercícios devem ser direcionadas às compensações biomecânicas de cada trimestre e os alongamentos é outra boa indicação. Tem muita opção segura. Porque correr risco?

Luiz Carlos de Moraes
Profissional de Educação Física

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Comentários   

+1 #1 Rosangela Venancio 17-10-2014 14:25
:lol:Concordo plenamente. Sou obstetra e agora thriatleta, e é exatamente essa orientação que dou as minhas pacientes. A  importancia da continuidade dos exercicios devidamente adaptados  para o periodo gestacional os partos ocorrem com muito mais tranquilidade.
 Parabens pela publicação
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